Construção vive momento de confiança e otimismo

By Macodesc | Initial | Posted at 08:45
Todo esse cenário de crescimento sustentável, porém, ainda esbarra em obstáculos que impedem o barateamento dos projetos e o crescimento mais acelerado do setor.

 

Após um longo período de marasmo, a construção civil vive um momento de confiança e otimismo, desde o anúncio de grandes programas por parte do governo federal, como o Minha Casa, Minha Vida, o Plano de Aceleração de Crescimento (PAC), início de obras de reforma e ampliação com a continuidade das privatizações em setores estratégicos de infraestrutura, tais como aeroportos, rodovias, portos ou grandes projetos na área de energia, com a construção de hidrelétricas e a ampliação das redes de distribuição. Todo esse crescimento pode ser traduzido no porte das empresas que atuam no setor, muitas com operações até no exterior, onde a tecnologia e a expertise brasileira conquistam a cada dia novos mercados. Para que se tenha uma ideia da solidez desses players, basta lembrar que as três maiores construtoras brasileiras apresentaram receita bruta de quase R$ 20 bilhões de reais em 2011, com patrimônio líquido de R$ 10 bilhões, sendo responsáveis por quase 200 mil empregos.

Na área habitacional, os números mostram um surpreendente crescimento nos últimos quatro anos, com recordes não só de unidades construídas, lançadas e vendidas quer nas grandes ca-pitais, quer em cidades do interior que não param de crescer. Praticamente abandonado desde o fim do Banco Nacional da Habitação (BNH) em 1986 e sem o apoio e o interesse dos agentes financeiros na liberação das linhas de crédito, o setor amargou um período de quase total estagnação, com crescimento meramente vegetativo, agravando o déficit habitacional brasileiro, ainda hoje estimado em 6 milhões de unidades.

Hoje, contudo, o mercado imobiliário dá mostras de punjança, cresce a taxas superiores às do Produto Interno Bruto (PIB) e volta a receber recursos crescentes por parte dos bancos e dos agentes financeiros, criando um círculo virtuoso que multiplica empreendimentos, número de mutuários e provoca um efeito dominó positivo em toda a cadeia produtiva. Para mensurar tal evolução, basta examinar alguns números da Caixa Econômica Federal, responsável por cerca de 52% de todos os contratos firmados para aquisição de imóveis pela classe média e por 73% da baixa renda. Em 2003, a Caixa contabilizava 251.453 contratos imobiliários, com a liberação de R$ 5,1 bilhões. Em 2007, os contratos já somavam R$ 15,2 bilhões, enquanto no ano passado o montante subiu para impressionantes 1,09 milhão de contratos e R$ 80,9 bilhões de financiamentos, respectivamente.

TODO ESSE CENÁRIO de crescimento sustentável, porém, ainda esbarra em obstáculos que impedem o barateamento dos projetos e o crescimento mais acelerado do setor. O excesso de burocracia ainda presente na maior parte da rotina de aprovação de projetos, concessão de licenças ambientais e habite-se, além da aguda falta de mão de obra e de treinamento são alguns dos entraves que impactam o caixa das construtoras. Para o interessado na compra de imóvel, atender a todas às exigências burocráticas ainda representa uma longa via crucis, onde paciência é ingrediente que não pode faltar. O número de documentos exigidos, como a enxurradas de certidões negativas e comprobatórias junto a ofícios de notas e cartórios, que ainda se ressentem da escassa informatização, representa alguns desafios a serem vencidos nos próximos anos.

Um dos maiores especialistas do setor, o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão, confirma o bom momento vivido no Brasil e como o mercado tem evoluído nos últimos anos. "O atual ciclo de crescimento da construção, na verdade, remonta a 2004, quando a Lei 10.931 promoveu uma ampla reorganização da atividade no País. De 1986, quando da extinção do BNH, até aquele ano, o setor viveu um intenso marasmo. Embora já sem o período de inflação elevada, os agentes financeiros não tinham interesse em financiar projetos, limitando-se a aplicar somente o mínimo estabelecido pela legislação. Os bancos eram muito seletivos, e concentravam até 90% dos financiamentos na Região Sudeste."

Segundo a CBIC, a Lei 10.931 permitiu maior segurança jurídica que permitiu, entre outros benefícios, que as incorporadoras voltassem a se interes¬sas em captar recursos, muitos inclusive provenientes do exterior. Assim, a construção experimentou um ciclo positivo de 2004 a 2008, quando do início da crise do subprime nos Estados Unidos, que desencadeou a crise global que persiste até os dias de hoje. Safady observa que, desde então, esse modelo precisou ser reformulado, o que não impediu que a construção civil passasse a representar 5% do PIB brasileiro. O percentual, sendo ele, é ainda pequeno frente ao potencial que tem o setor, dividido hoje em 40% em operações imobiliárias e 30% em obras de infraestrutura.

COM RELAÇÃO a infraestrutura, Safady aponta projetos como o PAC como um dos responsáveis pelo atual ciclo de crescimento das empresas. "O governo se conscientizou que não seríamos um país de primeiro mundo sem a realização de obras importantes. A presidente Dilma tem buscado com clareza o estabelecimento de parcerias com a iniciativa privada para execução de projetos em rodovias, ferrovias, energia, portos, saneamento." O resultado dessa aliança, segundo a CBIC, pode ser visto no confronto de alguns números. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a construção civil cresceu 2,4% no segundo trimestre deste ano, contra avanço de 1,2% da indústria e 0,6% do PIB.

Nem tudo, porém, são dados comemorativos, segundo a CBIC. Safady aponta a carência e a falta de especialização da mão de obra como duas grandes questões que preocupam o setor. Segundo a Confederação, a demanda crescente não tem sido acompanhada pela oferta necessária de empregados. Em 2011, por exemplo, cerca de 1,1 milhão de pessoas estavam trabalhando nos canteiros de obra em todo o País. Este ano, já são 3,3 milhões com carteira assinada, e ainda assim falta gente.

Safady diz que, para tentar resolver essa carência, as empresas começam a ministrar cursos de aperfeiçoamento e preparação de mão de obra, enquanto grandes entidades firmam parceria no mesmo sentido. A Confederação Nacional da Indústria (CNI), por exemplo, desenvolve junto com o Senac, em todo o País, diversos centros de alta tecnologia, 12 deles voltados especificamente para atender às exigências da construção civil. A própria CBIC, o Ministério do Trabalho e o Ministério do Desenvolvimento e Combate à Fome (MDS) criaram um programa conjunto que ministra capacitação a 46 mil alunos dentro do Programa Próximo Passo.

O presidente da CBIC observa que, além da questão quantitativa, a preocupação das empresas começa a se refletir também com o aspecto qualitativo dos projetos. "Não basta apenas garantir números, é necessário também almejar a qualidade da mão de obra nos canteiros. Com isso, se reduz bastante a perda de material e a necessidade de se refazer obras, permitindo o cumprimento de prazos e diminuindo os custos com desperdício."

 

Fonte: Jornal do Comercio

Data de publicação: 1/out/2012

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