Engenharia volta atrair estudantes universitários

By Macodesc | Initial | Posted at 10:48
Mão de obra qualificada é preocupação constante no Brasil.

 

A escassez de mão de obra está relacionada à formação de engenheiros, seja para a construção civil, seja para atuar em outros setores de infraestrutura. Entre os cerca de 800 mil estudantes de todos os cursos universitários que se formam por ano no país, apenas 50 mil são engenheiros, ou seja, um profissional da área para cada 50 formandos, enquanto que na Coreia do Sul essa relação é de um para quatro. Estima-se que haja no país pouco mais de 600 mil engenheiros credenciados, o que equivale a seis profissionais para cada mil pessoas economicamente ativas, um número também muito baixo se comparado a outras nações. Nos Estados Unidos, a relação é de 25 para mil trabalhadores.

Uma das razões dessa fragilidade está na baixa escolaridade do país. Estudo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), o percentual de jovens de 20 a 24 anos matriculados no ensino superior era de apenas 12,4% no Brasil, em 2007. No México, o percentual está em 15%, na Turquia, 20%, no Chile, 26,7% e na Coreia do Sul, 48,7%. O sistema de educação superior no Brasil também está concentrado nas áreas de educação, ciências sociais, direito, economia e administração.

Segundo o censo de 2010, a formação em engenharia abrange apenas 7,6% das pessoas com nível superior, 20% menos que 9,6% apurados dez anos antes. Além de formar poucos engenheiros em comparação com outras economias, o Brasil enfrenta a evasão nos cursos de engenharia. Mais da metade não conclui o curso, a maioria dos estudantes deixa a faculdade nos dois primeiros anos do curso.

"Mão de obra qualificada é preocupação constante no Brasil. Na construção, isso ocorre em todas as áreas", diz o presidente do Sindicato da Indústria da Construção do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Sergio Watanabe. "Com a expansão das atividades na construção civil, mais gente pode se interessar em trabalhar no setor. Isso deve reverter a tendência."

Depois de décadas de paralisia em projetos de construção e infraestrutura, os engenheiros também têm buscado novos ares. Segundo dados de pesquisa Ipea, apenas 38% dos formados em engenharia, em 2009, estavam no mercado nas suas ocupações típicas. Ou seja: seis em cada dez engenheiros atuavam em outras funções. Em 2020, a previsão é de que esse número aumente para 45%.

O mesmo estudo do Ipea alerta que em alguns setores, como construção civil, mineração, petróleo e gás, poderia haver um gargalo na oferta de profissionais, caso a economia cresça a níveis muito altos. Segundo o relatório, um crescimento econômico de 6% ao ano até 2020, o mercado de trabalho demandaria 1,15 milhão de profissionais da área da engenharia em 2020. Se o país crescer 2,5%, precisará de 563 mil engenheiros e se crescimento for de 4 %, demandará 765 mil profissionais de engenharia.

Fonte: Valor Econômico, Roberto Rockmann

Data de publicação: 26/03/2013

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